Família indígena produz e vende agrião há 20 anos

terça-feira, 18 de agosto de 2009 CIMI -MS/ PULSAR  

EM RESERVA DO MS ONDE CONFINARAM  O POVO KAIOWA-GUARANI

Três famílias indígenas kaiowa que moram juntas num pedacinho de terra na chamada reserva Bororo, município de Dourados/MS vem produzindo há 20 anos agrião, uma erva comestível rica em minerais, no quintal de sua casa, convertida em verdadeiro centro de produção de alimentos para o sustento e geração de renda familiar. As atividades desenvolvidas por eles no reduzido espaço jogam por terra qualquer referencia preconceituosa que no passado recente e ate hoje carimbaram a sorte dos kaiowa-Guarani com o pretexto de tirar-lhes suas terras. O estado brasileiro com sua política colonialista agrícola aplicado contra esse povo tinha um preceito ideológico racista que dizia que os indígenas iam estar mais bem confinados numa reserva; que suas presenças em terras férteis atrapalhariam o desenvolvimento, pois, eles seriam incapazes de produzir. Daí, pior ainda, conceitos estereotipados do latifundiário, do homem branco, “bandeirante da produtividade”, como, por exemplo, que “o índio não quer trabalhar”.

Contradizendo tudo isso as famílias Ortiz, Oliveira e Benitez querem sim a restituição de suas terras por meio da demarcação que também aguardam com muita esperança ao igual que milhares de famílias Kaiowa-Guarani no Estado de Mato Grosso do Sul. Mas eles não estão de braços cruzados, como podemos perceber na fala do Sr. Adilson “Acordo todos os dias as 4:30 da manhã para cortar o agrião, levar fresquinho pra entregar nos mercados da cidade”. A luta dessa família é solitária como de muitos agricultores familiares, sem apoio da FUNAI, Governo do estado e da Prefeitura enfrentam a luta diária para sustentar a família.

O mais bonito exemplo para os olhos é que produzem o agrião numa fonte de recurso natural que preservam com grande carinho; quando que, por outro lado, seus detratores do agronegocio estão poluindo a grande escala e de forma acelerada toda a região da Grande Dourados.

 Bernardina Ortiz, Dineia Oliveira e Adilson Benitez, junto aos outros membros da família além de cultivarem a terra têm ainda uma criação diversificada de animais domésticos tais como: criação de galinha, porco, duas vacas leiteiras, peru, ganso, angola, cabra e ovelha.

Sem terra, cansados de serem explorados numa fazenda, 20 anos atrás a família Ortiz Benitez buscou irremediavelmente refugio na reserva Bororo. Alguém deu para seu Adilson uma raiz de agrião que ele levou para casa, colocou na mina de água que brota no espaço de terra que escolheram na aldeia Bororo e ali começou a história da família com o verde produto. Acomodaram a água e aterra do jeito que o agrião gosta e encheram o espaço de solo com o produto e a converteram na principal fonte de renda da família.

Desde sua plantação, cuidado, coleta, traslado ao centro da cidade de Dourados e comercialização, participam vários membros da família. Embora, se a família tivesse apoio para a venda direta de agrião ao consumidor a atividade poderia ser mais lucrativa, pois, o produto é vendido a noventa centavos no supermercado e na feira é revendido a dois reais.

Assistência

Visitamos aquela família convidada pela ONG Pulsar, entidade de defesa do meio ambiente e que promove projetos e ações para a geração de trabalho e renda, capacitação e assistência técnica, formação e qualificação de mão-de-obra especializada na perspectiva do desenvolvimento socioambiental. A ONG com sede em Dourados/MS esta no processo de apoio às famílias indígenas que estão desenvolvendo com muito sacrifício atividade produtiva nas reservas que ficam perto Dourados. Segundo a ex-diretora da Pulsar, Arlete P. de Souza, a entidade vai apoiar com assistência técnica as famílias indígenas que já estão produzindo para que possam melhorar a qualidade de seus produtos. Também promovendo a produção agroecológica e busca de melhores perspectivas de venda e geração de renda no momento de contato com o consumidor final dos produtos que saem das comunidades indígenas.

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